Quem entra no Simples em 2027? Receita aceitou 299,9 mil pedidos e negou 357,8 mil
No balanço de 29 de outubro, a Receita tinha aceitado 299.921 pedidos de opção pelo Simples Nacional para 2027 e negado 357.828. A leva entra em 1º de janeiro: uma empresa nova para cada 24 que já estão no regime, sem contar os MEIs.
São 299.921 empresas. É o número de pedidos de entrada no Simples Nacional para 2027 que a Receita Federal tinha aceitado no balanço de 29 de outubro de 2026. Outros 357.828 pedidos foram negados: mais da metade (54%) dos cerca de 657,7 mil que chegaram. Quem foi aceito passa a ser do Simples em 1º de janeiro de 2027.
Por que o resultado saiu em outubro, e não em janeiro
Até este ano, a empresa em atividade pedia o Simples em janeiro, com prazo até o fim do mês, e a resposta vinha com o ano já correndo. Para 2027, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) levou a opção para setembro de 2026, por causa da reforma tributária. Na regra publicada em abril (Resolução CGSN 186/2026), a janela ia de 1º a 30 de setembro. A Receita informou depois que o prazo para formalizar a opção terminou em 15 de outubro, e que quem teve o pedido negado podia resolver as pendências até 30 de outubro. As duas datas são oficiais: a janela de setembro foi estendida.
O efeito dessas duas semanas extras aparece nos números. No balanço de 16 de outubro, eram 256.607 pedidos aceitos e 401.146 negados. Até 29 de outubro, 43.314 empresas tinham saído da lista de negados para a de aceitos, depois de resolver as pendências que travavam o pedido. O balanço final, depois do prazo de 30 de outubro, ainda não foi divulgado.
O MEI fica de fora dessa conta: a opção pelo Simei continua sendo feita em janeiro, até o último dia útil do mês.
Quanto pesa uma leva de 300 mil empresas
A base da Receita processada pela CNPGolden (outubro de 2026) tem 7.288.649 empresas ativas no Simples, sem contar os MEIs. Os 299.921 pedidos aceitos equivalem a uma empresa nova no regime para cada 24 que já estão nele.
No modelo antigo, essa leva caía toda no começo do ano. Em janeiro de 2026, 1.231.896 empresas tiveram a opção mais recente pelo Simples registrada naquele mês, MEIs incluídos: 2,6 vezes a média de fevereiro a setembro (468,7 mil por mês). Como o cadastro guarda só a data mais recente de opção, quem entrou em janeiro e saiu depois não aparece nesse mês (a metodologia explica).
O que muda para quem compra ou vende para essas empresas
Em 1º de janeiro, o cadastro de clientes e fornecedores perde validade nos dois sentidos: entram no Simples as 300 mil empresas desta lista, e saem as excluídas com efeito na virada do ano. Na virada passada, 702.336 empresas tiveram a exclusão mais recente do Simples registrada em dezembro de 2025 e seguem abertas e fora do regime hoje (a leva de dezembro). O regime de cada empresa define o código de regime tributário da nota que ela emite, as retenções de quem paga a ela e, a partir de 2027, o crédito de CBS de quem compra dela. Quem tem uma carteira grande pode conferir o regime de todos os CNPJs de uma vez logo depois da virada, em vez de descobrir na primeira nota rejeitada.
A mesma janela serviu para outra escolha: até 29 de outubro, 1.000.142 contribuintes tinham optado pelo regime regular do IBS e da CBS no primeiro semestre de 2027, o chamado regime híbrido, em que a empresa do Simples recolhe os dois tributos fora da guia única. Essa opção pode ser cancelada até 20 de dezembro de 2026, segundo a Receita. Quem compra de empresas do Simples tem motivo para acompanhar: o crédito da CBS muda conforme a escolha do fornecedor.
Para a empresa que teve o pedido negado e não resolveu as pendências até 30 de outubro, a situação de 2027 está definida: ela segue fora do Simples no ano que vem. O caminho é regularizar as dívidas e pedir de novo na próxima janela, que pela regra do CGSN é em setembro, com efeito a partir de janeiro do ano seguinte.
Conteúdo informativo, com base em fontes oficiais na data de publicação. Não substitui a orientação de um contador para o caso da sua empresa.