Quantas empresas sobrevivem 5 anos no Brasil? Fora do MEI, 8 em cada 10; entre os MEIs, 65
Das 3,16 milhões de empresas abertas em 2019, 68,1% passaram dos cinco anos sem baixa: 79,9% das abertas fora do MEI e 64,8% das abertas como MEI. Os anos de eleição municipal distorcem a série por causa dos CNPJs de campanha, e 20,3% da turma de 2019 está inapta hoje.
De cada 100 empresas abertas em 2019 fora do MEI, 80 não tinham sido baixadas cinco anos depois. Entre as abertas como MEI no mesmo ano, foram 65. Somando as duas, 68 de cada 100 dos 3,16 milhões de CNPJs daquele ano passaram dos cinco anos sem baixa, segundo a base da Receita Federal de outubro de 2026 processada pela CNPGolden.
A conta considera só empresas (matrizes, uma por CNPJ), não filiais. "Aberta como MEI" é a empresa cuja opção pelo MEI tem a mesma data da abertura; as demais entram como "fora do MEI", estejam ou não no Simples Nacional. E sobreviver, aqui, quer dizer não ter sido baixada: a empresa inapta conta como viva, ponto que pesa no fim deste texto. A metodologia detalha os critérios.
Ano a ano: o MEI perde mais logo no começo
| Anos após a abertura | Abertas como MEI | Abertas fora do MEI | Todas |
|---|---|---|---|
| 1 | 87,3 | 95,7 | 89,2 |
| 2 | 81,0 | 90,9 | 83,2 |
| 3 | 75,3 | 86,7 | 77,8 |
| 4 | 69,9 | 83,1 | 72,9 |
| 5 | 64,8 | 79,9 | 68,1 |
A distância aparece no primeiro ano e só cresce: 8,4 pontos depois de 12 meses, 15,1 pontos depois de cinco anos. As turmas mais novas repetem o desenho. Das empresas abertas em 2021, 61,9% das que nasceram como MEI chegaram aos quatro anos sem baixa, contra 80,0% das abertas fora do MEI.
Por que 2012, 2016, 2020 e 2024 parecem anos de quebradeira
Quem olha só a série de empresas fora do MEI leva um susto. Das abertas em 2020, apenas 53,6% passaram do primeiro ano sem baixa, contra 95,7% das abertas em 2019. O mesmo tombo aparece em 2012 (52,9%), 2016 (51,6%) e 2024 (65,5%). Não é crise: são os anos de eleição municipal.
Cada candidato, inclusive vice e suplente, recebe um CNPJ de campanha, e a Instrução Normativa Conjunta RFB/TSE nº 2.001/2020 manda a Receita cancelar essas inscrições de ofício em 31 de dezembro do ano da eleição (as de 2020, excepcionalmente, em 28 de fevereiro de 2021). Os números batem: em 2020 foram abertos 1.271.341 CNPJs fora do MEI, 570.777 a mais que em 2019, e 590.527 deles foram baixados no primeiro ano, contra 30.006 da turma anterior. Em 2024, as baixas no primeiro ano passaram de 57.664 (turma de 2023) para 531.855. Nos anos de eleição geral o efeito é bem menor: 91,6% das abertas em 2018 e 91,2% das abertas em 2022 passaram do primeiro ano. Por isso a resposta do começo usa 2019, um ano sem eleição municipal.
Sem baixa não quer dizer em dia: 1 em cada 5 da turma de 2019 está inapta
Das 3.163.698 empresas abertas em 2019, 642.154 estão inaptas na base de outubro de 2026, ou 20,3%. Entre as abertas como MEI, a parcela sobe para 22,4%; fora do MEI, fica em 12,9%. Ativas de fato, hoje, são 31,5% das que nasceram MEI e 59,9% das demais. Inapta é a situação cadastral 04 da Receita: a empresa não foi baixada, mas também não está regular (o post sobre inaptidão explica a diferença).
Para quem tem carteira de clientes ou fornecedores, a tabela vira prazo de validade. Da turma de 2019, aberta há sete anos, 41,7% dos CNPJs já foram baixados e mais 20,3% estão inaptos; onde há muito MEI, a proporção piora. Emitir nota, conceder crédito ou contar com o fornecedor sem conferir a situação é trabalhar com um cadastro que envelheceu. Dá para conferir a lista inteira de CNPJs de uma vez e separar quem está ativo, inapto ou baixado.